Ihh Bahia: Ricardinho, Jobson, Feijão. É o Bahia de todos os diabos

Os maiores “bad boys” do futebol brasileiro adoptaram Salvador como terra da salvação. Vão falhar ou redimir-se, como nos filmes?

Os “filmes de escola” são um subgénero do cinema. Passam-se normalmente em salas de aula com turmas problemáticas de alunos que ninguém quer por falta de qualidade, por mau comportamento ou ambos. Há quase sempre um professor sofrido. O balneário do Esporte Clube Bahia, este ano na primeira divisão do Brasil, parece uma sala de aulas de um filme desses. O professor encaixa no perfil: é René Simões (Vitória de Guimarães, 1987/88), tem óculos, um curso académico mas nenhuma experiência como futebolista profissional.

O Bahia luta pelo estatuto de 13.º grande do Brasil (o equivalente ao de quarto grande em Portugal, a que Belenenses, Braga e o defunto Boavista concorrem), tem 3 milhões de adeptos e não jogava na elite do futebol brasileiro desde 2003. No início do ano, durante o campeonato estadual – uma competição obsoleta que serve de barómetro para o segundo semestre – não chegou nem sequer à final da prova com o rival Vitória. O alarme tocou: era preciso reforçar a equipa para o exigente Brasileirão.

Como quem não planeia não prevê, e como quem não prevê não gere, o Tricolor da Boa Terra acabou por ir ao mercado à última hora. E à última hora encontram-se poucas pérolas. Mas descobrem–se muitos desterrados. Começou-se a formar então a turma dos repetentes do Bahia, a classe do professor Simões. Os primeiros a chegar foram Lulinha e Souza, dois jogadores que provocaram urticária nos adeptos do Corinthians no passado.

O primeiro (Estoril, 2009/10 e Olhanense, 2010/11) apareceu no clube paulista como prodígio da formação e acabou como sinónimo de decepção: “Este vai ser mais um Lulinha”, ouve-se no Pacaembu. O segundo (Marítimo, 2004/05) tornou-se adjectivo: significa ponta-de-lança perdulário, detestado porque nunca joga, mais detestado ainda quando joga. A eles juntou-se Fahel (Marítimo, Paços, Beira-Mar, de 2005 a 2008), o alvo a abater da ”torcida” do Botafogo. E Titi, mal visto no Vasco, e Danny Morais, perseguido no Inter, entre outros.

Mas o melhor estava para vir: depois de rejeitado no Atlético Mineiro, a que estava cedido, e recusado pelo Botafogo, dono do passe, Jóbson, com um passado que inclui uso de cocaína e de álcool, aterra em Salvador. Mais: dias depois, Ricardinho, identificado pelo técnico Dorival Júnior como maçã podre do plantel do Atlético-MG e alcunhado de Recadinho pelos colegas, assina contrato com os baianos.

E a cereja, ou feijão, no caso, no topo do bolo: Carlos Alberto (FC Porto, 2004-05), persona non grata no Corinthians, no São Paulo, no Grémio, no Inter, no Vasco, no Botafogo e até no longínquo Werder Bremen. O Feijão que ninguém quer na sua feijoada é o último “reforço” do Bahia de René Simões. René tem alternado a firmeza – “aqui ninguém vai jogar só pelo nome” – com a bonomia – “Carlos Alberto é fantástico, Ricardinho tem vontade, Jobson é brilhante, Souza dá tudo pela equipa”.

Nos filmes, o professor conquista quase sempre a turma, contra todas as probabilidades, e obtém resultados surpreendentes. Na vida real, costuma ser diferente. Para já, a equipa travou o todo poderoso Flamengo – 3-3, com dois golos de Jobson e um de Lulinha. A Bahia pode voltar a ser de Todos-os-santos, o nome original da primeira paisagem que Álvares Cabral viu no Brasil, mas por agora é terra de diabos à solta.

por João Almeida Moreira, em São Paulo, Brasil, Publicado em 04 de Junho de 2011

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